sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A minha camiseta velha

Tem certas coisas na vida que a gente não explica. Ontem uma amiga resolveu me perguntar de que tamanho que eu gosto dela, assim, feito pergunta de criança mesmo, que acha que sentimentos são mensuráveis. E ainda para piorar, ela achou que seria uma boa ideia comparar o tamanho do sentimento que tenho por ela com o sentimento que tenho por mais um monte de gente que ela sabe que eu gosto bastante. Foi depois deste episódio, e de tantos outros ocorridos ao longo das últimas semanas, que percebi que tenho um sentimento “camiseta velha”, aquele que ninguém entende, você não sabe explicar, mas você sabe que está ali e não quer se livrar dele.

Por que camiseta velha? É assim. Você tem aquela blusa há anos. Já não sabe dizer ao certo como era a sua vida antes dela existir, afinal parece que ela sempre esteve com você. Quando você vê fotos antigas, lá está ela. Você, com aquela carinha de criança e ela ali, ainda com cara de nova, sem marcas, cores vivas e vibrantes. Com o passar do tempo, as fotos em que ela aparece são de eventos menos importantes, sem aquele mesmo entusiasmo de algum tempo atrás. Alguns anos depois, ela não aparece mais nas fotos, mas continua no seu guarda-roupa. Campanhas do agasalho vêm e vão, os anos passam, sua mãe já falou para você dar aquela blusa, você não sabe nem dizer qual foi a última vez que você a usou, mas ainda assim ela não sai do seu guarda-roupa, nem por decreto. Você não usa, não empresta e não dá. Um sentimento que você sabe que é egoísta, mas não se sente mal por isso e sabe que não vai se livrar tão cedo da sua camiseta velha, afinal, abrir seu guarda-roupa e ver ela ali no fundinho te dá uma sensação de conforto e até mesmo uma certa nostalgia.



O tempo passa, mas certas coisas simplesmente não mudam.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Um novo amigo


Já passei da fase de ir para academia para fazer amigos. Aliás, nem vou mais para academia, desisti dessa ideia. Meu exercício da vez é a natação. Há um ano pratico o esporte no mesmo lugar e não estou lá para fazer amigos. Vou para me exercitar e para emagrecer. Tenho um único amigo lá, o Felipe, de três anos.


A nossa amizade começou assim:


Felipe: - Oi.


Eu: - Oi, tudo bem?


Felipe: - Ahan (e me olha de cima abaixo com um olhar desconfiado) Você é criança ou gente grande?


Mãe do Felipe: - Por que essa pergunta filho?


Felipe: - É que ela é pequenininha, mãe!


A nossa conversa termina comigo explicando que não comi muito feijão e nem verdura quando eu era criança.
Ser pequena tem que servir para alguma coisa, né? Nem que seja para as futuras gerações!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Eu, inserida na crise



Quinta-feira, 25 de junho, 11:59 am, recebo um email com o assunto "info importante". O remetente sendo a minha irmã, nunca tenho certeza até que ponto a informação seria séria ou uma notícia para alegrar o meu dia. O email se resume a uma única frase: "liquidação da zara começa amanham!" (o amanham é uma piadinha interna). Meu coração disparou por alguns minutos, em sinal de alegria. Logo em seguida veio a imagem da tela do computador com o meu extrato bancário e meu coração continuou disparado, mas agora por outro motivo.


Eu sei que já passou a moda de falar sobre a crise financeira internacional, afinal tem a morte do Michael Jackson, a gripe A (antiga gripe suína, que agora voltou com tudo aos noticiários com novo nome) e as acusações contra o Sarney. Mas só agora é que a crise realmente bateu na minha porta. Até pouco tempo eu era relativamente grata pelo meu emprego, tinha uma boa quantia investida em títulos do governo e chegava ao fim do mês sem ter aquele friozinho na barriga ao conferir o meu extrato. Agora, depois que aproveitei a redução do IPI e comprei meu carro, tenho saudades das minhas economias, preciso de um emprego novo que me pague melhor e meu extrato bancário.... bom, agora fico apreensiva toda vez que eu falo "débito", com um certo receito de não ver o papelzinho azul saindo da máquina ao sinal de "aprovada".




Esse post é só um desabafo, já que não aproveitei como eu queria a promoção da Zara e nenhuma outra promoção do shopping. Então se alguém quiser me dar um emprego novo, tô super aí!




domingo, 21 de junho de 2009

À espera do verão...




Cama quentinha no inverno x acordar com o sol batendo no rosto
Cachecóis de lã x lindos lenços fresquinhos
Casacos pesados x regatas coloridas
Grama braquinha x mar azul
Botas pesadas x diversas sandálias
Sopa x sorvete
Pantufas x andar descalço

No primeiro dia do inverno fico feliz que as temperaturas não estejam tão maldosas quanto nos últimos dias de outono. E espero que continue assim, daí quem sabe tenho paciência para esperar pelo verão!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

No news is good news...



Não sou uma pessoa muito família. Nunca fui. Talvez porque desde criança vivi mudando de cidade em cidade e cada vez para mais longe de tios, primos e avós. Apesar da pouca convivência com toda a parentada durante a minha infância, desde que mudei para cá e agora moramos perto, consequentemente, nos aproximamos, mas nem por isso aumentamos o nosso convívio. Claro que em celebrações importantes, como aniversários, formaturas e dia das mães estamos sempre reunidos, mas aquela convivência diária não existe. Não porque a gente não se ama e não se dá bem, MUITO pelo contrário, mas acho que é comodismo ou costume mesmo, quem sabe é até uma tradição familiar.



Hoje tive uma prova disso. No meio da manhã, meu celular toca e o identificador de chamadas denuncia: Tia Odete. Meu primeiro pensamento foi: “nossa, que legal” e logo em seguida mudou para “Meudeus, o que será que aconteceu?”. E de fato aconteceu. Nada grave (espero!), mas me fez pensar porque ligações entre a nossa família não podem ser corriqueiras e normais. Esses dias percebi que tinha uma grande novidade e que só contei para a minha vó quando já nem era tão novidade e nem tão grande assim.


À tarde, também hoje, novamente meu celular tocou, mas dessa vez o identificador de chamadas não ajudou, “desconhecido”. Sempre tenho receio de atender essas ligações, mas num impulso atendi. E uma voz longínqua e estrangeira denunciou sua origem: Itália. Era meu cunhado querendo saber notícias da família e se estava tudo bem (a notícia de que algo aconteceu também já tinha chegado por lá).



A conclusão disso tudo é que, essa tecnologia que se tornou corriqueira atualmente, email, skype, orkut, twitter e por aí vai, ajuda, mas não chega aos pés de uma boa conversa ao telefone ou, ainda melhor, uma agradável visita no fim da tarde.


E é isso que vou fazer. Sair do trabalho e dar um oi na casa da família! Fui!