Eu não sou uma pessoa muito supersticiosa, mas certas coisas a gente faz por precaução, né? Afinal de contas, porque passar exatamente embaixo da escada sendo que dá para desviar? E por que não pular as sete ondas no reveillon?
No tema inferno astral sigo mais ou menos a mesma linha. Não acredito no horóscopo nem nas previsões astrais para o ano que se inicia, mas tem alguma coisa no período entre 25 de dezembro e 25 de janeiro que tornam meus dias um tanto... sombrios. Talvez essa seja uma boa palavra.
Eu tenho o privilégio de começar meu inferno astral na data mais comemorada em todo o mundo. Acho que por isso nunca fui muito fã das festas de Natal. Quando criança, não curtia muito o Papai Noel e só queria mesmo era saber do meu presente. Os anos foram passando e o Papai Noel não era mais o problema desta época, mas sempre tinha alguma coisa que não deixava eu ver a tal magia do Natal. Depois que eu descobri toda essa história de inferno astral, comecei a acreditar que esse era o principal motivo. Comentando com uma amiga sobre o assunto, ela me disse que, na verdade, o inferno astral não é um período de coisas ruins na sua vida, mas sim de transformações. Como a maioria das pessoas se assusta com as mudanças que a vida nos traz, a impressão é de que fatos catastróficos acontecerão nesse mês.
Mas para mim, mudanças e novidades são sempre bem-vindas! Este ano estou satisfeita com meu inferno astral!
2010 começou e agora parece que tudo tem que ser diferente. Afinal, a década de 1960 é completamente diferente dos hippies anos 70, que não tem semelhança alguma com a década perdida de 1980, que por sua vez em nada lembra os anos 90.
Para mim, essa nova era deve ser de amadurecimento, afinal, quando chegarmos em 2019 eu vou ter... bom, deixa pra lá que isso é melhor nem pensar! Mas espero que assim como os anos 2000 trouxeram mudanças e novidades, esta década também não decepcione.
Fazendo uma retrospectiva/resumo dos últimos dez anos posso dizer que foi uma época marcante na minha vida. O intercâmbio sem dúvida foi um divisor de águas, fazendo me apaixonar ainda mais pelas delícias de simplesmente largar tudo e começar uma vida nova em outro lugar. Decidi minha profissão e me tornei uma jornalista, demorou um pouquinho mais do que o planejado, verdade, mas só porque eu já tinha sido picada pelo bichinho que me tornou desapegada de qualquer lugar do mundo. Conheci pessoas maravilhosas, as quais sem dúvida nenhuma estiveram e estarão presentes nos momentos mais importantes da minha vida. Foi também nesta década que vivi algumas das separações mais drásticas até agora: vi minha irmã esvaziar o guarda-roupa e se mudar para quilômetros de distância, ajudei meu pai a arrumar tudo que ele tinha para ir morar a apenas uma quadra da minha casa e apoiei incondicionalmente um amor a largar tudo para viver uma experiência única do outro lado do país. Viajei, voltei, quis ir de novo, fui, tive que voltar e nunca parei de pensar em quando ir novamente.
Para o período que se inicia espero concretizar planos e realizar sonhos. Assim como a década anterior foi de muito aprendizado e novas experiências, espero colocar em prática tudo que já vivi para ter anos de realizações pessoais, profissionais e continuar aprendendo e vivendo muito mais!
Eu sei que o Natal já passou, mas como o senhor me conhece muito bem, deve saber que eu tenho um probleminha com pontualidade, então a surpresa não é tanta ao receber minha cartinha na primeira semana de janeiro, né? Eu poderia até dizer que na verdade estou mandando minha carta agora porque sabia que o senhor estaria muito ocupado em dezembro e meus presentes não precisavam ser entregues no dia 25, mas isso seria o mesmo que justificar o atraso por conta do trânsito. Então, para poupar o meu tempo e o seu, vamos aos pedidos para 2010:
- Como ano passado não teve esse pedido, neste ano eu tenho direito a pedir um novo emprego. De preferência muito legal e que me pague super bem. E se não for exigir demais, que seja em outra cidade, se possível na praia. Curitiba já deu, né?
- Queria que meu dedo que funciona muito bem para escolher os amigos também seja tão eficiente para escolher meus amores.
- Viagens. Esse item nunca sai da lista, eu sei, mas é que viajar nunca é demais, o senhor que tem seu trenó sabe disso. Pode ser tanto para perto quanto para longe, sem restrições de cultura, distância ou país.
- Mais noites bem dormidas e menos olheiras, mas isso não quer dizer menos diversão e noites mal dormidas, porém muito bem aproveitadas.
- E aqueles quilinhos extras que insistem em estar sempre por aqui o senhor pode levar também!
Obrigada e feliz 2010!
Ah! Prometo ser um exemplo de menina nesse ano, não se preocupe!
Eu sempre acreditei que cultura não se entende e nem se muda, apenas respeita-se. Para mim é impossível compreender, por exemplo, como ficar sem tomar banho por um dia, comer bacon com mostarda no café da manhã ou fumar um charuto dentro do cinema, mas se eu estiver na Europa, nos Estados Unidos ou em Cuba, minha única opção é respeitar os costumes desses lugares e tentar me adaptar ao que cada país tem para me oferecer.
Alguns lugares são mais fáceis de entender as tradições, enquanto outros parecem ter costumes tão diferentes que chegam a ser absurdos. Independentemente da dificuldade em aceitar as diferenças culturais, para uma convivência pacífica é essencial compreender a educação, a religião e a realidade dos povos para não nos tornarmos ignorantes a ponto de acreditar que somos melhores e mais evoluídos que os outros – um quê de Hitler presente em muitas pessoas. Quando eu encontro uma destas pelo caminho gosto mesmo é de puxar conversa para entender a visão de mundo delas.
Um dia desses, eu participei de uma conversa muito interessante sobre porque é justo os homens ganharem uma parte maior da herança do que as mulheres. E a explicação foi a seguinte:
“Quando meu pai morrer, tudo que ele tem hoje vai ficar para mim”. “Mas e sua irmã? Ela tem os mesmos diretos, afinal ela é tão filha do seu pai quanto você!!”. “É que no meu país o filho homem é tudo para o pai. Pode até ser que a minha irmã fique com alguma coisa, mas a herança dele é minha porque ela é casada, então agora, na verdade, ela é responsabilidade do marido dela e não mais do meu pai. Além disso, quando eu casar, vou ter a minha família para sustentar; minha mulher e meus filhos serão responsabilidades minhas, é por isso que a herança do meu pai vai ficar para mim. Se a minha esposa quiser trabalhar para se distrair não tem problema, porque eu acho que a mulher pode fazer aquilo que gosta, mas ela não vai ter que trabalhar para ajudar a sustentar a casa, sabe? Isso é responsabilidade do homem e por essa razão é mais justo eu ficar com tudo que o meu pai construiu do que a minha irmã, entendeu?”.
Adoro conhecer novas culturas. Não simplesmente para deter o conhecimento, mas por que acredito que o crescimento pessoal acontece através da vivência de diferentes realidades. Não sou nenhum pouco teórica, gosto de aprender na prática e por isso acredito que o relacionamento com pessoas de diferentes culturas me engrandece mais do que qualquer experiência vivida em sala de aula (sem desmerecer o papel do professor e da escola, por favor, sem dúvida nenhuma a educação é indispensável, mas isso deixa para outro post!)
Apesar de ser fascinada pelo diferente, nas últimas semanas passei por dois episódios que me fizeram questionar sobre essa real abertura que tenho para compreender e aceitar outros costumes.
#1: Sábado à noite. Três amigas decidem finalmente colocar em prática a conversa curitibana do vamos combinar. Marcamos data e horário, planejamos a noite e lá fomos nós, rumo à diversão. É importante lembrar que minhas duas amigas são da mesma “tribo”, da qual, definitivamente, não faço parte. Mas meu pensamento open-minded me fez acreditar que boa companhia seria o suficiente para ter uma noite de muita loucura e histórias para contar para a posteridade.
A noite começou com muita risada. Ainda em casa, as três fofocando com vodka e lambrusco como companhia. Depois de muito hahaha seguimos para a primeira parada da noite: um samba. Gosto muito desse estilo musical. Um sambinha bem brasileiro para animar uma festa em família, para cantar na praia ou para dançar com meu pai (pós-graduado em dança de salão), mas samba na balada de sábado não foi a melhor opção da noite.
Sem sucesso no samba, seguimos para a opção número dois, uma balada alternativa, frequentada por heteros, mas onde a maioria do público é gay. Para a minha sorte, amigos pertencentes a esta tribo nos salvaram de entrar no local, mas em compensação me levaram para o lugar que, para mim, é o ícone alternativo de Curitiba. Sem hesitar ou reclamar, afinal estava em minoria e tinha topado a programação, segui em direção da tal balada. Jamais tinha passado pela minha cabeça entrar naquele lugar, mas fui.
A porta abriu e o arrependimento bateu. Luzes piscando, fumaça na pista e gente, muita gente totalmente diferente de qualquer outro lugar que eu já fui. Homem com homem, mulher com mulher, bêbados, loucos, olhares estranhos, pessoas diferentes, mas ao mesmo tempo, todas iguais. Mesmo estilo de roupa, mesmas atitudes, mesmas caretas na pista. Eu só estava ali para me divertir. Dançar músicas que eu nunca imaginei dançar, ver rostos que eu nunca tinha visto antes, vivenciar uma realidade completamente diferente do que estou acostumada. Minha cabeça sabia que era isso que aconteceria, mas meu preconceito não deixou que eu esquecesse o quanto meu mundinho é rosa e como eu não estou preparada para encarar o diferente que está tão perto, literalmente vizinho da minha realidade.
Fim de noite chego à conclusão que é mais fácil me adaptar a uma cultura de outro país do que aos costumes de pessoas da minha própria nacionalidade. E ainda acabo ligando para as mesmas pessoas antes de ir pra casa...