sexta-feira, 29 de maio de 2009

O tal do nariz de cera

Lá quando eu ainda era adolescente escolhi ser jornalista porque gostava de escrever. Ao longo do tempo, da faculdade e dos dias de trabalho, percebi que essa não é a única qualidade que um bom jornalista deve ter. Apesar disso, ainda acho que gostar de escrever é uma das características desta profissão que eu mais tenho.


Atualmente, a maioria dos meus textos é sobre tecnologia ou sobre produtos que os nossos clientes vendem. Nada comparado a temas de revistas “legais” como Nova, Gloss ou até mesmo Capricho (já pensou escrever aqueles textos da Capricho? Ia ser divertidíssimo!). Enfim, mas o que eu mais gosto mesmo de fazer é o tal do nariz de cera. Permitido em poucos meios jornalísticos, o nariz de cera é aquela enrolaçãozinha no começo do texto, para deixar ele mais atrativo e diferente. E é a parte mais divertida! É uma pena que nem todo mundo perceba isso (quem não gosta de um texto sobre peixes que começa falando de Jesus Cristo???).


Fiz uma seleção dos “narizes de cera” que mais gosto e resolvi deixá-los aqui!


(Editoria: Lazer/Pauta: Bicicletas)
Um lindo dia de verão. O céu azul e o calor do sol aquecem as ruas da cidade, enquanto o orvalho que umedece o solo e as plantas aos poucos evapora. O canto dos pássaros desperta a cidade, que ao longo da manhã começa a funcionar em um ritmo agradável. Pais deixam seus filhos na escola e vão felizes ao trabalho, sem se estressarem no caminho, afinal, todos são muito educados no trânsito, que flui perfeitamente. Carros, motos, bicicletas e pedestres convivem harmoniosamente na rua, cada meio transporte nas proporções ideais para não haver grandes congestionamentos e transformar a cidade em um verdadeiro caos.

Buzina, ônibus lotados e motoristas estressados. A manhã nublada mal começou e as ruas das grandes metrópoles já estão lotadas. O céu cinzento e a névoa de poluição não permitem que o sol aqueça as ruas, que são um eterno vai-e-vem de carros e pessoas que não sabem muito bem o motivo de tanta correria, mas têm certeza de que não podem parar para cumprimentar seu vizinho ou um conhecido que cruze seu caminho. Trânsito parado, quilômetros de congestionamento e o caos logo nas primeiras horas do dia impede qualquer possibilidade de ter momentos agradáveis no caminho para o trabalho, escola ou algum outro compromisso.


(Editoria: Gourmet/Pauta: Os benefícios do peixe)
Há cerca de 2000 anos o peixe já fazia parte da alimentação dos povos da antiguidade. Prova disso é a passagem da Bíblia que conta o milagre da multiplicação, quando Jesus Cristo alimentou uma multidão com apenas cinco pães e dois peixes. Apesar de ser um alimento bastante comum e conhecido, provavelmente na época de Cristo as pessoas não conheciam as propriedades nutricionais do peixe.


(Editoria: Viagem/Pauta:Bonito - MS)
Bonito é bonito! Ou melhor, é lindo. Ao falar dessa cidade é praticamente impossível fugir do trocadilho, afinal o lugar apresenta uma das mais exuberantes belezas naturais brasileiras.


(Editoria: Comportamento/Pauta: Leitura infantil)
Era uma vez uma linda princesa que morava em um belo castelo, num reino muito distante, e estava à espera do seu príncipe encantado quando...

O primeiro contato de muitas pessoas com a leitura foi assim. Os contos de fada são tradicionalmente contados para as crianças na hora de dormir para que elas peguem no sono. A partir daí, muitas tomam o gosto pela leitura. Porém, com tantas novidades tecnológicas, como videogames, jogos de computador e diversos tipos de entretenimento na televisão, o livro acaba ficando de lado. E não é raro escutar a pergunta: Ler para quê?

(Editoria: Economia/Pauta: Casamento econômico)

Um lindo vestido branco, uma mulher radiante de alegria, flores frescas e perfumadas, convidados sorridentes à espera da figura principal deste dia, a noiva, que entra com o seu pai ao som da marcha nupcial para encontrar, no altar, o seu príncipe encantado.

O sonho de várias meninas, que aguardam ansiosas pelo tão esperado dia do seu casamento, muitas vezes vira pesadelo quando começam a chegar os orçamentos dos preparativos para o grande dia.

(Editoria: Gourmet/ Pauta: Queijo Parmesão)

Almoço de domingo, um momento único para encontrar todos os familiares e reunir-se em torno de uma mesa farta, na qual o prato fumegante de macarrão com um delicioso molho vermelho convida para um acompanhamento indispensável: o queijo parmesão ralado, derretendo por cima da tradicional massa italiana.


(Editoria:Viagem/Pauta: Fernando de Noronha)
"Infinitas águas e infinitas árvores; aves muito mansas, que vinham comer às mãos; um boníssimo porto que foi bom para toda a tripulação". (Américo Vespúcio, em carta à corte de Portugal ao chegar em Fernando de Noronha)

domingo, 26 de abril de 2009

Eu quem?


Um milhão de ideias
Um turbilhão de emoções
Novas e velhas
Renovadas e esquecidas
Novas experiências
Novos amores (?!?!)
Sentimentos antigos
Dúvidas permanentes
Uma certeza?
Já nem sei mais se ela existe
Às vezes sinto que não sei quem sou
Mas quem me conhece não me deixa esquecer

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Things that I’ve learned in the States


#01: Pijama também é roupa

Entre agosto de 2001 e julho de 2002 vivi uma experiência incrível. Foram 11 meses morando com uma família, a princípio, desconhecida, em uma cultura diferente e ao mesmo tempo fascinante, no país dos sonhos, em um estado homenageado em muitas músicas: a Califórnia. Isso tudo em plena adolescência. Não poderia ser melhor.

Apesar de ter passado praticamente 7 anos desde a minha volta, estes meses foram um divisor de águas na minha vida, e foi quando vivi momentos que até hoje influenciam a forma como ajo.

Encarar o pijama como qualquer outra peça do meu guarda roupa é uma delas.

A Califórnia é um estado que se destaca do resto do país. As pessoas lá são mais descoladas, comparadas à população americana de um modo geral. Eles estão mais acostumados com a miscelânea cultural, graças à mistura mexicana presente no estado. Diferente de muitos locais dos Estados Unidos, lá as pessoas querem conhecer e saber sobre outras culturas do mundo, mesmo que para isso elas tenham que fazer perguntas bestas do tipo “mas lá tem coca-cola?” ou “nossa, você conhece os Flinstones?”. Devido a essa cultura open-minded eles têm alguns hábitos estranhos, entre eles, usar pijama na rua.

É, aquele mesmo que você usa para dormir e, se a campainha toca e você está vestindo-o, normalmente você grita “mãããe, atende a campainha, eu tô de pijama”. Pois é, os californianos vão passear com seu pijaminha confortável, carinhosamente chamado de PJs. A minha mom adorava pijamas. Comprava-os, naquela compulsão americana pré-crise, aos montes, e tinha uma quantidade incrível deles. Supermercado, farmácia, posto de gasolina e até restaurantes de fast food. Qualquer lugar é plenamente aceitável ir com eles. No começo achava estanho e tinha certeza que era coisa dela, afinal, ela era uma mãe descolada e uma pessoa que definitivamente não se importava com a opinião alheia. Acreditei nisso até quando começou o inverno.

Habitantes de um estado conhecido por ter o sol brilhando sempre, os californianos gostam mesmo é do verão e quando chega a estação mais fria do ano, sabe qual é a primeira coisa que os adolescentes pensam ao acordar? Huummm meu pijama está tão quentinho, queria tanto ficar com ele! E assim o fazem. Dos nerds até os populares, passando pelo grupo estranho e dos imigrantes, nada mais comum do que encontrar um colega seu usando pijama e pantufa. Claro! Que sapato combina com um pijama? Quanto mais estranha e criativa for a pantufa, mais popular é o seu usuário, pode ter certeza!

No período que estive lá, nunca tive coragem de ir pra aula de pijama. Na verdade nunca pensei nisso, só lembrava que tal ato seria permitido socialmente quando chegava na escola e dava de cara com alguém vestido assim. Neste momento lembrava como eu estava confortável e quentinha na minha cama, mas aí já era tarde demais. Porém isso nunca me impediu de ir comprar leite no supermercado às 10 da noite com os meus PJs ou até mesmo atravessar três estados até chegar ao Texas, toda a viagem bem feliz de pijama.

Entre outros hábitos, trouxe este para o Brasil. E é engraçado perceber como a reação brasileira é muito parecida com a dos texanos (extremamente tradicionais): eles simplesmente não sabem como agir. Claro que não saio por aí de pijama, até porque isso seria como perguntar quem é o jogador de futebol americano mais popular da escola a um adolescente brasileiro, mas muitas vezes entro no elevador e vou até a garagem pegar alguma coisa no carro ou então vou até logo ali, na casa do meu pai, bem confortável com o meu pijama. Mas se no meio do caminho encontro alguém, essa pessoa definitivamente não sabe para onde olhar. Aliás, elas não sabem nem o que fazer. Imagino que elas devem pensar se elas conversam naturalmente, como se nada tivesse acontecido, ou se elas me avisam que eu esqueci de tirar o pijama. Por mais que a primeira opção seja a escolhida, elas não conseguem me olhar nos olhos para ter aquela conversinha de elevador.

Portanto, se você for meu vizinho e me encontrar por aí de pijama, não se preocupe, está tudo bem, pode conversar comigo sem ficar sem graça, ok?

quarta-feira, 18 de março de 2009

About the true love


Sempre achei que cada pessoa fosse única. Aliás, continuo achando. Mas ao mesmo tempo me impressiono como, paradoxalmente, as pessoas são tão parecidas, com anseios e desejos idênticos e, ao mesmo tempo, opostos.

Explico.

Sempre fui fã de séries de TV. No final da adolescência, esperava ansiosamente pelo domingo, afinal era o dia da reprise de todas as séries do Canal Sony. Uma melhor que a outra. Para mim, simplesmente imperdível.

O tempo foi passando e junto com ele vieram as responsabilidades e as mudanças. A programação da Sony já não era mais a mesma, as minhas preferências também não. Com a TV a cabo extinta da minha vida, atualmente baixo ou empresto as séries conforme a indicação dos amigos ou de acordo com os meus “vícios” antigos.

Minha mais nova fixação é o seriado How I met your mother (indicação da Fran). Leve, divertido e com um tom de realidade ainda maior para mim, já que uma das protagonistas é uma jornalista que, nos primeiros episódios tem um emprego falido e ridicularizado (ring a bell?), mas mesmo assim sonha em ser âncora do telejornal e viver uma vida de aventuras, sem muito planejamento e vivendo em diversos países (ding dong).

Pois bem, toda esta “breve” contextualização para a minha reflexão depois de assistir o último episódio da segunda temporada.

Robbin, a jornalista, namora um cara normal, que quer casar logo e ter filhos. Ele já tem tudo planejado e já está tudo certo, só falta encontrar a mulher da vida dele, que ao que tudo indica seria a jornalista, se não fosse por um mero detalhe: ela não quer casar e ter filhos. Pelo menos não agora (is that bell still ringing?). Ela quer descobrir o mundo. E quem sabe morar na Argentina (que parece um lugar muito longe e desconhecido - para os americanos). Ou trabalhar em Paris, Tókio. Nem ela sabe ao certo que mundo é esse que ela tanto sonha em explorar e se aventurar, mas ela sabe o que não quer. Casar. E pensar aonde vai aquele espelho, o que vai fazer para o almoço amanhã, quando vai ter filhos (ou se vai ter filhos), qual o melhor lugar para um jantar a dois. Mas o amor dos dois é verdadeiro. Eles se dão bem, divertem-se juntos e parecem ter a mesma opinião em diversos temas, exceto quando o assunto é o futuro do relacionamento (can somebody please stop ringing that?).

No final do episódio eles anunciam o término do namoro. Por mais triste que pareça, ambos parecem estar satisfeitos com a situação. Continuam amigos, frequentando o mesmo bar e tendo a mesma rede de relacionamentos. Mas não estão mais juntos.

É, estou ansiosa para saber como termina a história dessa tal jornalista.
(is it that bell again?)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A dor é incontrolável, o sofrimento é opcional

Não vou chorar
(Chiclete com Banana)

Porque será que tem que ser assim
A gente gosta, a gente ama, a gente muda
E o tempo faz verdades nos teus olhos deixa ver
Solidão abusa

Foi tão bonito, tão intenso, tão maravilhoso
Cada segundo
E a vida nos revela cada dia uma nova cena
Um outro mundo

Você chega, me beija
Me olha nos olhos
E me diz então
Valeu! Foi bom, adeus!

Não vou chorar,
Nem vou me arrepender
Foi eterno enquanto durou
Foi sincero nosso amor
Mas chegou ao fim

Guardei as fotografias
Coloquei numa caixa vazia
O que restou do amor

Não vou chorar,
Nem vou me arrepender
Foi eterno enquanto durou,
Foi sincero nosso amor
Mas chegou ao fim.

Porque será que tem que ser assim
A gente gosta, a gente ama, a gente muda
E o tempo faz verdades nos teus olhos deixa ver
Solidão abusa

Foi tão bonito, tão intenso, tão maravilhoso
Cada segundo
E a vida nos revela cada dia uma nova cena
Um outro mundo

Você chega, me beija
Me olha nos olhos
E me diz então
Valeu foi bom, adeus

Não vou chorar,
nem vou me arrepender
Foi eterno enquanto durou,
foi sincero nosso amor
Mas chegou ao fim.